Obesidade no adulto: causas, riscos e estratégias de prevenção

Obesidade no adulto: causas, riscos e estratégias de prevenção

A obesidade é uma doença crónica caracterizada por uma acumulação excessiva de gordura no corpo, que pode atingir níveis capazes de afetar a saúde.
 
O excesso de peso ocorre quando a quantidade de calorias ingeridas através da alimentação ultrapassa o que o organismo necessita de utilizar no dia a dia. As calorias não utilizadas acabam por ser armazenadas sob a forma de massa gorda, levando ao aumento de peso e a alterações do metabolismo. 
 
A obesidade é considerada um importante problema de saúde pública em Portugal e a nível mundial, sendo um fator de risco importante para diversas outras doenças crónicas, como diabeteshipertensão arterial e problemas cardiovasculares.


Quais são as causas da obesidade?

O excesso de peso e a obesidade resultam da combinação de fatores predisponentes e de circunstâncias facilitadoras, como fatores ambientais, genéticos, comportamentais ou certas doenças. 
Entre os principais fatores que contribuem para o seu desenvolvimento destacam-se:
  • Alimentação pouco saudável, rica em calorias, açúcares e gorduras saturadas; 
  • Aumento do sedentarismo e falta de atividade física; 
  • Privação de sono ou sono de má qualidade, que afeta o metabolismo e a regulação do apetite. 
O ritmo e as condições de vida atuais favorecem o desequilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia. É fácil consumir mais calorias do que aquelas que são gastas e, ao mesmo tempo, praticar estilos de vida cada vez mais sedentários, o que potencia o risco de obesidade.
 
Embora o estilo de vida contribua de forma importante para a obesidade, não são apenas os comportamentos que determinam o risco de uma pessoa vir a desenvolver esta doença. Outros fatores associados incluem:
  • Predisposição genética: ter familiares com obesidade ou ter sido obeso na infância aumenta a probabilidade de a obesidade persistir ao longo da vida;
  • Idade: o metabolismo tende a abrandar com o envelhecimento;
  • Doenças associadas: nomeadamente alterações hormonais, como a síndrome de Cushing, o hipotiroidismo ou a síndrome dos ovários poliquísticos;
  • Limitações físicas;
  • Saúde mental: depressão, ansiedade ou perturbação de stress pós-traumático podem contribuir para o aumento de peso;
  • Distúrbios do comportamento alimentar: como a compulsão alimentar ou a ingestão alimentar noturna;
  • Gravidez;
  • Medicamentos: alguns fármacos podem favorecer o aumento de peso, como os antidepressores, os corticosteroides e os fármacos para o tratamento da epilepsia;
  • Cessação tabágica: pela substituição do uso de tabaco por comida;
  • Determinantes sociais: as condições de vida, o rendimento, a educação e o ambiente social influenciam os hábitos de saúde.
 

A obesidade tem sintomas ou sinais de alerta?

O principal sintoma da obesidade é o excesso de peso. Para além deste, podem surgir outros sinais e consequências associados ao excesso de peso, tais como:

      • Cansaço fácil ou falta de energia;
      • Dificuldade em realizar esforços físicos;
      • Falta de ar em atividades simples;
      • Problemas articulares, especialmente nos joelhos e coluna;
      • Alterações do sono, como ressonar ou pausas respiratórias.

Como é feito o diagnóstico da obesidade?

O diagnóstico da obesidade é feito, sobretudo, com base no cálculo de duas medidas:

ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC)
Relaciona o peso com a altura e determina-se pela razão entre o peso em quilogramas e o quadrado da altura em metros (kg/m2).


A bioimpedância é também um método frequentemente utilizado para avaliação da composição corporal. Consiste na passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade através do corpo e que faz uma determinação aproximada da percentagem de massa magra e de massa gorda. 
 
Para uma avaliação completa, o médico irá também analisar o historial clínico, os hábitos de vida e a presença de doenças associadas, assim como solicitar exames ao sangue para obter informações mais detalhadas sobre o seu estado de saúde.


Como é classificada a obesidade?

A classificação da obesidade é feita com base no resultado do IMC e do perímetro abdominal. Em adultos, considera-se que existe excesso de peso quando o IMC está entre 25-29,9 e obesidade sempre que o IMC seja superior a 30. 
 
A necessidade de caracterizar e classificar a obesidade prende-se com o facto de esta não se manifestar da mesma forma em todas as pessoas. Existem diferenças importantes entre indivíduos, nomeadamente:
  • A quantidade total de gordura acumulada no organismo; 
  • A forma como essa gordura se distribui pelo corpo; 
  • A composição corporal, uma vez que pessoas com o mesmo peso e altura podem ter proporções distintas de massa gorda e de massa magra (como músculo, ossos e água). 
Estas diferenças ajudam a compreender melhor o risco para a saúde e a adequar a abordagem para cada pessoa.


Quais são as complicações de saúde associadas à obesidade?

A obesidade é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diversos problemas de saúde, incluindo:
  • Doenças cardiovasculares como a hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca;
  • Diabetes;
  • Doenças respiratórias, como a apneia obstrutiva do sono, e aumento de complicações associadas a infeções virais, como a gripe e COVID-19;
  • Esteatose hepática ("fígado gordo”);
  • Problemas articulares e ortopédicos;
  • Doenças gastrointestinais, como refluxo e esofagite (inflamação do esófago);
  • Doença renal crónica, pedra nos rins e incontinência urinária;
  • Alguns tipos de cancro como, por exemplo, da mama, colorretal ou do pâncreas;
  • Depressão, ansiedade e baixa autoestima;
  • Demência;
  • Infertilidade.
 

Quais são os tratamentos disponíveis para a obesidade?

O tratamento da obesidade deve ser individualizado, com base na adoção e manutenção de hábitos de vida mais saudáveis. Isto inclui a melhoria dos comportamentos alimentares —optar por uma alimentação equilibrada, variada e ajustada às necessidades individuais —, bem como a criação de rotinas, nomeadamente horários regulares para as refeições. 

A prática regular de atividade física também é fundamental, contribuindo não só para a perda de peso, mas também para a melhoria da saúde global.
 
Para além destas medidas, que constituem a base do tratamento, pode ser necessário recorrer a outras abordagens, dependendo da gravidade da obesidade e das características de cada pessoa. Estas podem incluir:
  • Terapêutica farmacológica, com medicamentos prescritos pelo médico para ajudar no controlo do peso; 
  • Procedimentos endoscópicos, como colocação de balão intragástrico, que ajudam a reduzir a capacidade do estômago; 
  • Cirurgia bariátrica, geralmente reservada para casos de obesidade mais grave ou quando outras intervenções não foram eficazes; 
  • Acompanhamento por diferentes profissionais de saúde, como médicos, farmacêuticos, nutricionistas e psicólogos, especialmente quando existem fatores emocionais ou comportamentais associados, assim como profissionais do exercício físico.
Uma abordagem multidisciplinar e adaptada a cada pessoa é essencial para alcançar resultados eficazes e duradouros.


Quais são os benefícios da perda de peso para a saúde das pessoas com obesidade?

Mesmo uma perda de peso moderada pode trazer benefícios significativos, nomeadamente:
  • Melhoria da tensão arterial; 
  • Controlo dos níveis de açúcar no sangue; 
  • Redução do risco cardiovascular; 
  • Melhoria da qualidade do sono; 
  • Aumento da mobilidade e da energia; 
  • Benefícios para a saúde mental e autoestima. 
 

A importância da motivação para perder peso

Perder peso pode ser um desafio, mas é importante encará-lo como um processo gradual e contínuo, e não como uma solução rápida. A motivação é um fator essencial: nenhum plano de perda de peso terá sucesso sem um desejo verdadeiro e uma preparação mental para mudar hábitos.
 
Algumas estratégias úteis incluem:
  • Definir objetivos realistas: É importante estabelecer metas alcançáveis e com um prazo razoável. Em muitos casos, perder apenas 5–10% do peso corporal já traz benefícios significativos para a saúde;
  • Perder peso de forma gradual: Perder peso de forma demasiado rápida pode ser pouco saudável e aumentar o risco de recuperar o peso perdido;
  • Monitorizar a alimentação e os comportamentos: Manter um diário alimentar detalhado ajuda a perceber o que e quanto se come. É também útil registar o peso semanalmente, observando a tendência ao longo do tempo;
  • Celebrar pequenas conquistas: Cada progresso conta e deve ser valorizado, reforçando a motivação;
  • Procurar apoio: Família, amigos, grupos de apoio ou profissionais de saúde podem fornecer incentivo, orientação e acompanhamento.
O seu farmacêutico pode ser um aliado importante neste processo, não só na motivação, mas também através do acompanhamento regular, monitorização de parâmetros como o peso e o perímetro abdominal, aconselhamento sobre hábitos alimentares e atividade física, e identificação de possíveis causas associadas ao aumento de peso.


O que posso fazer no dia a dia para prevenir a obesidade ou reduzir o excesso de peso?

Pequenas mudanças consistentes podem fazer uma grande diferença a longo prazo, como por exemplo:
  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, cereais integrais e leguminosas; 
  • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas; 
  • Optar pela ingestão de água em vez de refrigerantes e bebidas açucaradas;
  • Manter horários regulares para as refeições; 
  • Planear as compras alimentares – tenha em casa alimentos saudáveis e reserve doces e alimentos mais calóricos para ocasiões pontuais;
  • Praticar uma atividade física que lhe dê prazer;
  • Procurar formas simples de se movimentar mais, de acordo com a sua capacidade física, como caminhar e subir escadas em vez de utilizar o elevador;
  • Garantir um sono reparador e adequado – dormir bem e por um período suficiente evita desequilíbrios hormonais que contribuem para o aumento de peso;
  • Gerir o stress – aprender a reconhecer as situações que provocam stress e encontrar estratégias para lidar com ele sem recorrer à comida. Por exemplo, fazer uma caminhada, praticar meditação ou exercícios de respiração profunda;
  • Evitar longos períodos sentado;
  • Privilegiar o contacto com a natureza, com passeios e caminhadas ao ar livre.
Lembre-se: cada passo conta. Melhorar hábitos hoje pode trazer ganhos significativos para a sua saúde no futuro.

 

 

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