A gravidez é uma fase especial da vida que envolve mudanças físicas, emocionais e sociais.
O acesso a cuidados de saúde especializados durante a gravidez é muito importante para garantir o bem-estar da mãe e do bebé. Idealmente, a mulher deverá consultar o médico ainda antes de engravidar. Esta consulta ajuda a preparar melhor a futura gravidez, permitindo detetar atempadamente algum problema de saúde e, se necessário, iniciar tratamento. Podem ainda ser feitos exames e análises que ajudam a despistar várias doenças. Caso não seja possível, a primeira consulta deverá ser realizada antes das 12 semanas de gestação (de preferência pelas 8 semanas). Geralmente, numa gravidez, são realizadas no mínimo seis consultas.
Além das consultas, medidas como a vacinação, manter uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável ajudam a prevenir problemas e a promover uma gravidez mais segura.
A gravidez é ainda uma boa altura para fazer mudanças positivas nos seus hábitos, como deixar de fumar, melhorar a alimentação ou começar a fazer exercício, sempre com o acompanhamento de profissionais de saúde.
Um dos primeiros sinais de gravidez é a ausência da menstruação. Também pode sentir um aumento do volume e da sensibilidade mamária.
Se suspeita que está grávida, poderá fazer um teste de gravidez logo nos primeiros dias após o atraso da menstruação. Os autotestes de gravidez encontram-se disponíveis nas farmácias e parafarmácias. São práticos e têm resultados rápidos, podendo ser realizados pela própria pessoa no domicílio. Caso pretenda, o seu farmacêutico poderá realizar um teste de gravidez na farmácia e ajudar na interpretação do resultado.
A maioria dos testes de gravidez, baseiam-se na deteção da chamada "hormona da gravidez” – hormona gonadotrofina coriónica humana (hCG). Esta hormona é produzida pela placenta, após a implantação do embrião na parede do útero, e é detetada na urina da mulher.
Antes de fazer o teste de gravidez, leia com atenção as instruções da embalagem. Sempre que possível utilize a primeira urina da manhã, pois é mais concentrada, o que facilita a deteção da hormona hCG.
Se o teste for positivo, é importante marcar a primeira consulta médica o mais cedo possível. Nessa altura, o médico pode recomendar suplementos importantes para o início da gravidez e pedir algumas análises. Sempre que tiver dúvidas ou precisar de ajuda, fale com os profissionais de saúde.
Para além do crescimento da barriga, o corpo da mulher passa por várias outras alterações físicas durante a gravidez, nomeadamente:
É ainda normal existirem alterações emocionais, especialmente no primeiro e último trimestre, como sensação de insegurança, maior sensibilidade, preocupação e vontade de chorar sem motivo aparente.
Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por várias mudanças para acompanhar o crescimento e desenvolvimento do bebé. Por isso, é importante cuidar a alimentação, garantindo que consome todos os nutrientes de que precisa. Uma alimentação saudável e equilibrada, com a quantidade certa de vitaminas, minerais, proteínas e outros nutrientes, é essencial para que o bebé cresça bem. Comer pouco ou em excesso pode trazer riscos, como aborto espontâneo, diabetes gestacional, parto prematuro ou problemas no crescimento do bebé.
O peso da grávida deve aumentar ao longo da gestação, mas de forma controlada. O aumento ideal varia de mulher para mulher, dependendo do seu peso antes da gravidez, do seu estado de saúde e de outros fatores. Em geral, encontra-se recomendado um aumento entre 12 e 18 kg até ao final da gravidez. Este aumento de peso está associado ao crescimento do bebé, da placenta, do útero, do líquido amniótico e também devido ao aumento do volume de sangue no corpo e tecido mamário.
Por norma, é necessário um ligeiro aumento na ingestão de calorias no segundo e terceiro trimestres da gravidez, que devem ser obtidas através de alimentos saudáveis.
Os principais componentes de uma alimentação saudável durante a gravidez incluem:
As dietas vegetarianas podem dificultar a ingestão adequada de nutrientes importantes para a saúde da grávida e do bebé. Por isso, é importante que a mulher grávida que segue este tipo de regime alimentar tenha um acompanhamento regular com um nutricionista, de forma a garantir que está a ingerir todos os nutrientes necessários.
As grávidas, devido a alterações no seu sistema imunitário, estão mais vulneráveis a infeções transmitidas pelos alimentos, como a toxoplasmose, a listeriose, a brucelose e a salmonelose. Estas infeções podem trazer complicações graves para o bebé, podendo mesmo resultar em aborto espontâneo. Assim, são essenciais cuidados redobrados na manipulação, higiene e consumo dos alimentos.
Algumas medidas recomendadas para prevenir estas infeções incluem:
O ácido fólico é fundamental para o desenvolvimento do bebé, ajudando especialmente a prevenir malformações do seu sistema nervoso. É recomendada a toma de ácido fólico por todas as mulheres a planear engravidar e durante as 12 primeiras semanas de gestação. Alguns alimentos ricos em ácido fólico incluem: cereais integrais, agrião, espinafre, beterraba, espargos e feijão.
O ferro é essencial para o desenvolvimento do bebé e da placenta, além de ajudar na formação das células do sangue da mãe. A falta de ferro pode causar anemia, o que aumenta o risco de complicações, como o parto prematuro. Por isso, é recomendada a toma diária de ferro. Alguns alimentos ricos em ferro são os vegetais de folhas verde-escura (como espinafre), lentilhas, feijão, grão-de-bico, carne, sardinha em conserva e ovos.
Consumir alimentos ricos em vitamina C, como a laranja, kiwi, toranja e tomate, ajuda o corpo a absorver melhor o ferro. Já o café, chá e laticínios podem reduzir a absorção de ferro, pelo que é recomendado que o seu consumo seja espaçado da hora da toma do suplemento de ferro.
O iodo é essencial para o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso do bebé. É recomendado que todas as mulheres tomem diariamente um suplemento com iodeto de potássio, iniciado antes da gravidez e continuado durante a toda a gestação e ao longo da amamentação. Existem algumas situações em que o iodo não está recomendado, pelo que a avaliação do seu médico é fundamental. O iodo também pode ser encontrado em alguns alimentos, como o peixe, o leite, os derivados lácteos e os ovos.
Sim. A prática de exercício físico moderado durante a gravidez traz muitos benefícios para a saúde da mãe e do bebé. O exercício físico ajuda a diminuir o risco de diabetes gestacional, pressão arterial elevada, aumento excessivo de peso e depressão pós-parto. Também melhora a força, a postura e a resistência da grávida, ajudando a reduzir o inchaço, as dores nas costas e a obstipação.
Praticar exercício físico pode não ser adequado se existirem complicações na gravidez, tais como doenças ou outras situações de risco. Além disso, deve ser evitada a prática de desportos de contacto, radicais e de movimentos bruscos.
É recomendado praticar atividade física durante pelo menos 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, mas sempre equilibrando com períodos de descanso. Caminhar, nadar, fazer ioga ou exercícios leves são boas opções. É importante fazer sempre alongamentos antes de praticar exercício e ingerir água para se manter hidratada.
É ainda recomendado exercitar o pavimento pélvico, um conjunto de músculos e ligamentos que sustentam o útero, a bexiga e os intestinos. O parto pode distender e enfraquecer estes músculos. Em consequência disto podem ocorrer, após o parto, perdas de urina ao tossir, rir ou praticar atividades físicas. Os exercícios do pavimento pélvico, como os exercícios de Kegel, poderão ajudar a prevenir esta situação.
É perfeitamente seguro ter relações sexuais durante a gravidez, desde que seja confortável para o casal e não haja nenhuma contraindicação médica. Algumas contraindicações incluem: risco para parto prematuro, sangramento vaginal de causa desconhecida, rutura da "bolsa de águas” ou ameaça de aborto.
No entanto, é normal que o seu desejo sexual mude durante a gravidez, pelo que é importante conversar com o seu parceiro. Algumas pessoas experienciam um aumento do desejo sexual durante a gravidez, enquanto outras sentem menor interesse por causa do cansaço, mudanças no corpo ou náuseas.
Há que ter em conta o risco de contrair infeções sexualmente transmissíveis durante a gravidez como por exemplo, a sífilis e o vírus da imunodeficiência humana (VIH). Estas infeções podem causar complicações graves para a grávida e para o bebé. Por isso, é fundamental a adoção de comportamentos sexuais responsáveis.
Caso sinta dor, desconforto ou sangramento após a relação sexual, é importante falar com o seu médico.
Durante a gravidez é muito importante manter uma higiene oral cuidadosa e vigilância da sua saúde oral junto do seu dentista. As mudanças hormonais durante a gravidez podem desencadear ou agravar problemas orais, especialmente a inflamação das gengivas. Como resultado, é comum que ocorra dor ou sangramento gengival ao escovar os dentes. Além disso, a gravidez também pode aumentar o risco de cáries, pelo que não deve adiar a ida ao dentista.
É recomendado manter bons hábitos de higiene oral durante a gravidez: escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia com uma pasta de dentes com flúor e usar fio dentário e/ou escovilhão uma vez por dia, de preferência à noite.
O consumo de tabaco, álcool e drogas pode causar sérios danos ao bebé em desenvolvimento, pelo que estes produtos devem ser totalmente evitados durante a gravidez. A exposição ao fumo ambiental é igualmente prejudicial, devendo ser limitada ao máximo.
A toma de qualquer medicamento, suplemento alimentar ou produto à base de plantas durante a gravidez deve ocorrer apenas por indicação de um profissional de saúde, para garantir que não existem riscos para a saúde da mãe nem do bebé. Diversos medicamentos podem ser utilizados com segurança durante a gravidez, enquanto outros requerem precaução, ou mesmo interrupção. Os benefícios e riscos do uso de medicamentos durante a gestação devem ser ponderados em conjunto pela grávida, o médico assistente e o farmacêutico para que, caso necessário, sejam encontrados tratamentos alternativos que sejam mais seguros e igualmente eficazes.
Sim, algumas vacinas são recomendadas durante a gravidez para proteger a saúde da mãe e reforçar a imunidade do bebé contra determinadas infeções nos primeiros meses de vida.
A vacinação contra a tosse convulsa, feita através de uma vacina combinada contra a difteria, tétano e tosse convulsa, está recomendada entre as 20 e as 36 semanas de gestação, preferencialmente no terceiro trimestre e até às 32 semanas de gravidez, de forma a permitir que o corpo da mãe produza anticorpos suficientes para proteger o bebé nos primeiros meses de vida.
As vacinas contra a gripe e a COVID-19 também são seguras durante a gravidez e devem ser administradas antes ou durante os períodos do ano em que estas doenças são mais comuns. A imunização contra estes vírus é muito importante para a proteção da grávida, uma vez que esta tem um maior risco de desenvolver formas graves destas doenças.
Uma dose única da vacina contra o vírus sincicial respiratório pode ser administrada entre as 24 e as 36 semanas de gestação para prevenção de doenças respiratórias causadas por este vírus (incluindo bronquiolites) no recém-nascido/lactente. Atualmente, é recomendada a administração aos bebés de um anticorpo contra o vírus na época do ano em que estas infeções são mais comuns.
Em algumas situações, o médico poderá ainda recomendar outras vacinas, como as do tétano, hepatite B, meningite ou pneumonia, sempre com base na situação de saúde de cada mulher.
É também importante garantir que as mulheres em idade fértil estejam vacinadas contra a rubéola, pois esta infeção pode causar problemas graves no bebé. Esta vacina deve ser tomada antes de engravidar ou logo após o parto, uma vez que não pode ser administrada durante a gravidez.
Caso apresente algum dos seguintes sinais ou sintomas é fundamental que procure atendimento médico imediato:
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