Agonistas/Análogos dos recetores GLP-1 no tratamento da diabetes e da obesidade

Agonistas/Análogos dos recetores GLP-1 no tratamento da diabetes e da obesidade

Os agonistas ou análogos dos recetores do peptídeo-1 semelhante ao glucagom (GLP 1) são uma classe de medicamentos desenvolvidos para ajudar a controlar a diabetes mellitus tipo 2 e a promover a perda de peso em pessoas com obesidade.
 
Os agonistas dos recetores do GLP-1 disponíveis em Portugal são o semaglutido, o dulaglutido, o liraglutido e a tirzepatida.
 
A tirzepatida atua também sobre os recetores do GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente da glicose), combinando dois mecanismos que contribuem para o seu efeito terapêutico.


O que é o GLP-1?

O GLP-1 é uma hormona produzida no intestino delgado, principalmente após a ingestão de alimentos. Desempenha funções essenciais no controlo dos níveis de açúcar no sangue (glicemia) e na regulação do apetite. Entre as suas principais ações incluem se:
  • Estimular a libertação de insulina. A insulina é uma hormona essencial, produzida pelo pâncreas, que permite às células do corpo utilizar o açúcar dos alimentos (glicose) como fonte de energia. É libertada quando os níveis de açúcar no sangue estão elevados, ajudando a que se mantenham dentro dos valores normais;
  • Inibir a secreção de glucagom. O glucagom é uma hormona que ajuda a aumentar o açúcar no sangue quando necessário. Ao bloquear a sua ação, o GLP-1 reduz a entrada de glicose na circulação sanguínea;
  • Atrasar o esvaziamento do estômago. Tornar a digestão mais lenta vai reduzir a quantidade de açúcar proveniente dos alimentos que passa para o sangue;
  • Aumentar a sensação de estar satisfeito após comer (saciedade), atuando em áreas do cérebro que controlam as sensações de fome e de saciedade.
 

Como funcionam os agonistas dos recetores do GLP-1?

Os agonistas dos recetores do GLP-1 funcionam imitando a ação desta hormona. 
 
Em termos simples, um "agonista” é uma substância desenvolvida para se ligar a um recetor existente em células e provocar o mesmo efeito que uma substância produzida pelo próprio corpo. Ou seja, os medicamentos agonistas do GLP-1 ligam-se aos recetores GLP-1 para desencadear os mesmos efeitos da hormona natural nos níveis de açúcar no sangue e no apetite. 
 
A ação destes medicamentos no organismo vai originar efeitos mais abrangentes, incluindo diminuição do peso e redução do risco de doenças cardiovasculares. Por estes motivos, têm vindo a ser cada vez mais utilizados no tratamento destas doenças crónicas.


Para quem estão indicados?

Os agonistas dos recetores do GLP-1 podem ser considerados em situações como:
  • Pessoas com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente o açúcar no sangue apenas com dieta, exercício e outros medicamentos para o tratamento da diabetes.  Podem ser utilizados sozinhos ou em conjunto com outros medicamentos que ajudam a baixar os níveis de açúcar no sangue;
  • Pessoas com obesidade (IMC ≥ 30) ou com sobrepeso significativo (IMC ≥ 27) que padeçam de algum outra doença relacionada com o excesso de peso (ex. hipertensãocolesterol elevado, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes, ou diabetes tipo 2), que não conseguem perder peso de forma eficaz apenas com alterações de estilo de vida.
Em ambos os casos, a decisão de iniciar estes fármacos deve ser tomada por um médico com base no historial clínico, objetivos de tratamento e fatores de risco de cada pessoa.


Estes medicamentos estão apenas disponíveis nas farmácias?

Sim. Por serem medicamentos sujeitos a receita médica, só podem ser adquiridos numa farmácia mediante apresentação de uma prescrição válida.
 
Os produtos vendidos através de páginas de internet e promovidos nas redes sociais podem ser falsificados. Isto significa que não estão autorizados por uma autoridade oficial e que não cumprem os padrões de qualidade, segurança e eficácia exigidos por lei. Assim, representam um risco significativo para a saúde.

Em caso de dúvidas não hesite em falar com o seu farmacêutico. Este pode ajudá-lo a esclarecer as suas questões e a garantir a utilização correta e segura do medicamento.


Porque é que existem dificuldades em adquirir estes medicamentos?

As dificuldades na aquisição destes medicamentos devem-se sobretudo ao aumento significativo da procura, que tem ultrapassado a capacidade de produção e distribuição. Este crescimento resulta não apenas do seu uso no tratamento da diabetes e da obesidade, mas também da utilização alargada fora das indicações aprovadas, nomeadamente para fins estéticos.
 
A utilização indevida agrava a escassez e compromete a disponibilidade do medicamento para os doentes que realmente necessitam por indicação clínica. Além disso, o uso fora das indicações autorizadas pode implicar riscos para a saúde, incluindo a ocorrência de efeitos adversos não monitorizados.
 
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P – Infarmed – tem vindo a acompanhar a situação desde 2022, tendo já implementado um conjunto de ações que visam melhorar a situação do abastecimento, assim como medidas para priorizar o acesso dos doentes com indicação clínica comprovada, garantindo que o medicamento é utilizado de forma segura e adequada.


Como são administrados estes medicamentos?

A maioria destes medicamentos são administrados por injeção subcutânea. A sua administração pode ser semanal ou diária, dependendo do fármaco. O medicamento semaglutido também existe na forma de comprimidos.


Quais são os seus principais benefícios?

Os agonistas dos recetores do GLP 1 proporcionam vários benefícios terapêuticos importantes:
  • Melhor controlo da glicemia — ajudam a reduzir os níveis de açúcar no sangue de forma eficaz em pessoas com diabetes tipo 2; 
  • Perda de peso significativa — especialmente quando combinados com mudança de hábitos alimentares e atividade física;
  • Redução de complicações associadas à obesidade e diabetes — além de ajudarem na perda de peso e no controlo da diabetes, estes medicamentos mostraram reduzir o risco de problemas cardiovasculares e de complicações renais em algumas pessoas.
 

Quais são os seus possíveis efeitos adversos?

Como todos os medicamentos, os agonistas dos recetores do GLP 1 podem provocar efeitos secundários[TC8.1], sendo os mais comuns:
  • Efeitos gastrointestinais: náuseas, vómitos, diarreia ou prisão de ventre (obstipação). Estes sintomas costumam ser mais frequentes no início do tratamento e muitas vezes diminuem com o tempo. 
Riscos mais raros, mas potencialmente graves:
  • Problemas da vesícula biliar ou inflamação do pâncreas (pancreatite), que exigem avaliação médica imediata;
  • Agravamento da retinopatia diabética;
Outros efeitos adversos, como perturbações do foro psiquiátrico (por exemplo, pensamentos suicidas) ou cancro da tiroide, foram inicialmente objeto de suspeita. No entanto, após avaliação sistemática dos dados disponíveis, a Agência Europeia do Medicamento concluiu não existir, à data, evidência que suporte um aumento do risco, tendo sido excluída uma associação causal entre os agonistas dos recetores do GLP-1 e estes eventos. Ainda assim, a segurança destes medicamentos continua a ser monitorizada por precaução.
 
Além disso, estes medicamentos não se encontram indicados para todas as pessoas. Deverão ser evitados ou utilizados com muita precaução nas seguintes situações:
  • Pessoas com história de pancreatite;
  • Doença gastrointestinal grave como gastroparesia (atraso no esvaziamento gástrico);
  • Pessoas com problemas nos olhos causados pela diabetes (retinopatia diabética);
  • Pessoas com insuficiência cardíaca grave (classe IV da NYHA), devido à pouca experiência no uso destes medicamentos nestes doentes;
  • Doenças da tiroide.
Por isso, é fundamental que o uso destes medicamentos seja sempre indicado por um médico, que analisa cada caso individualmente.


Mensagens-chave

    • Os agonistas dos recetores do GLP-1 são uma opção eficaz no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade, mas apenas para alguns doentes que cumpram critérios clínicos específicos e após avaliação médica;
    • Os seus benefícios vão além do controlo da glicemia, incluindo perda de peso e proteção cardiovascular;
    • Estes medicamentos não substituem hábitos de vida saudáveis – dieta equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico são essenciais para alcançar e manter benefícios a longo prazo;
    • A prescrição e monitorização devem ser sempre feitas por um profissional de saúde qualificado, que pode ajustar a dose, acompanhar a resposta ao tratamento e detetar efeitos adversos;
    • A sua aquisição deverá ser sempre feita numa farmácia. Os medicamentos comprados online podem ser falsificados, estar fora de prazo ou ter sido armazenados incorretamente, representando um risco para a saúde.

 

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